Tudo começou quando fiz uma espécie de workshop (eles chamam de Creative Retreat) com o pessoal do The Makerie, há dois anos. Se você gosta de trabalhos manuais, artesanato, DIY, entra no site deles para entender como é legal… Bom, desta vez, a idéia era fazer arte e levar os filhos com a gente. O lugar escolhido era o Camp Wandawega, um lugar lindo, com a cara dos summer camps dos anos 50, com direito a lago, casa em árvore e muita natureza, a duas horas de Chicago.

Camp Wandawega tem o que eles chamam de Low Expectation manifesto. Ou seja, deixe de lado tudo que você imagina sobre conforto e aproveite o momento, a natureza, o lugar. Muito bonito, mas só pensava nos chuveiros fora do quarto… Frio na barriga, onde fui me meter?…

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Chegou o grande dia e lá fomos eu e Tetê, minha filha de 6 anos, munidas de repelente, lanterna, bota para chuva e todo arsenal de sobrevivência na selva. Ficamos três dias no Camp e, agora que estou fazendo este post, tenho dificuldade em encontrar palavras que descrevam uma das experiências mais legais da minha vida.

O lugar é simplesmente maravilhoso, um sítio cheio de objetos vintage com uma vegetação incrível. Apesar de ser tudo super rústico, a decoração foi feita com muito bom gosto e ficou ainda mais especial com os objetos que Land of Nod criou só para o Camp.

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Nosso lodge tinha três quartos, um banheiro pequeno (sim!!! sem chuveiro) e a vista do lago mais linda do mundo. Eu e Tetê ficamos em um dos quartos e nos outros ficaram mais duas mães com suas filhas e, não preciso nem dizer, fizemos grandes amigas. Afinal, todo mundo foi com a mesma idéia, cabeça aberta para curtir a natureza, fazer arte e fazer amigos.

Em volta da fogueira, não pude deixar de me emocionar ouvindo o violão ao lado da minha filha que claro, estava muito mais preocupada em assar marshmallows. Fogueira, violão e céu estrelado tem o mesmo significado em qualquer lugar do planeta e mesmo sem caldo de feijão e “moda de viola”, foi muito especial.

Tetê começou várias das oficinas de arte, mas logo ia embora para brincar… Balançar as amigas na rede, fazer sopa de pedra e subir e descer duzentas vezes a famosa casa na árvore.

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E o chuveiro fora do quarto?… No primeiro dia, acordei bem cedo, peguei meus apetrechos de banho e ainda de pijama, abri a porta da casa para ver o que me esperava. A primeira coisa que vi foi aquele lago lindo, meio coberto pelo orvalho e senti aquele “geladinho” da manhã. Atravessei uma trilha pequena, que na hora parecia a Floresta Amazônica, desci uma escadinha e entrei. Com a água mais quente do mundo batendo no rosto e um cheiro de carvalho d-e-l-i-c-i-o-s-o,  lembro de pensar: isto é viver plenamente.

Aí voltamos para casa, com muitos casos para contar, novas amizades e um saco de dormir na bagagem.

Já em New York, revendo as fotos deste fim de semana mágico, fico me perguntando se não deveria tentar oferecer uma vida mais “assim” para meus filhos… Sei lá, mudar para o campo, ter uma horta em casa… Será que alguém pode ser feliz sem ter uma casa na árvore?… Eu tinha um sítio quando era pequena, minhas melhores lembranças de infância são desse tempo e claro, eu sou meio dramática mesmo.

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Então, depois de voltar do Camp, decidi que iria passar o resto do verão “por conta” das crianças, nada de fazer posts aqui do blog, de fotografar, de ter aulas. Apenas aproveitar estes dias lindos e curtir meus filhos.

Só agora que todo mundo voltou para a escola, consegui sentar no “meu Café” para escrever este texto e enquanto não decido se crio galinhas ou planto tomates, vou percebendo que a tal “casa na árvore”, a gente constrói um pouquinho a cada dia, ou, a cada verão.

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